Episódio #037 – Organizações Exponenciais – Parte Final

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iTunes: Movimento Pró-Futuro

Termino neste episódio do podcast o resumo do livro Organizações Exponenciais. Posso dizer sem receio que este livro marca a história da literatura de administração do século XXI. Os conceitos, ideias e modelos propostos pelo Salim Ismael mudaram radicalmente a minha forma de ver os modelos de negócio. Me sinto com um senso de responsabilidade de promover e implementar muitas das ideias que o autor descreve no livro e não é atoa que reservei 3 episódios do podcast para tentar resumir este livro.

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Nesta última etapa entramos nas 9 características de marcam as organizações exponenciais. Estas nove não precisam estar em todas e nem são obrigatórias, mas no estudo realizado pelo Salim, elas se destacaram e eu tiro chapéu pro cara por ter a percepção e a clareza de passar estes conceitos.

  • A informação Acelera tudo em todos os lugares.

Pense no que aconteceu com a Kodak que em 1995 produzia 710 milhões de rolos de filme e não percebeu a revolução que aconteceria com os filmes digitais. Atualmente subimos diariamente mais de 1 bilhão de fotos para as redes sociais.

  • Desmonetize o seu negócio

O custo de transação, ou seja aquele custo de se comprar, vender, conquistar um cliente novo ou parceiro novo está caindo pra zero. A AirBnB não gasta nada para conseguir um novo quarto para a sua rede mundial, o Waze não gasta nada para ter mais um usuário dizendo como está o trânsito. Como a sua empresa pode usufruir disso? Se você não está pensando nisso, pode ter certeza que mais cedo ou mais tarde você será atropelado por um concorrente que nem está ainda no mercado.

  • Disrupção é a nova norma

Este é um termo que me incomoda, tudo mundo quer ser disruptivo, mas raramente possuem uma ideia nova. A questão é que nesta onda de todo mundo querer ser disruptivo, alguns acabam conseguindo e mudam radicalmente os negócios tradicionais. Não é atoa que os veículos de mídia estão em crise, que os hotéis estão perdendo espaço e que os taxistas estão em pânico. Novos concorrentes que não existiam há cinco anos estão tomando o espaço e mudando a lógica dos mercado.

  • Abra o olho para os “Experts”

De acordo com o livro a mudança radical só pode vir de fora, com um olhar novo sobre as situações. Acho interessante o conceito e como consultor defendo que você deve sempre buscar um olhar externo para a organização. Quem está dentro do negócio, especialmente há muito tempo, acaba não conseguindo ver o óbvio. Porém, penso que os “experts” de determinados negócios não podem se depreciar, deveriam utilizar os seus conhecimentos em outros negócios, gerando valor com sua visão. Esta troca enriquece todo mundo.

  • A morte dos Planejamento de 5 anos

Ouvi falar pela primeira vez de planejamentos quinquenais quando estudava a revolução russa e o Stalin. Confesso que achei sensacional, me apaixonei pelo conceito de se planejar o futuro com tanta clareza, de dar um propósito claro de onde a empresa ou no caso país estava caminhando. Porém, percebo hoje como isso é problemático. A velocidade das mudanças não permite a construção eficaz de um planejamento de tanto tempo. O melhor é aplicar a metodologia OKR – Objective and Key Results que já expliquei em outros podcasts. 3 meses com revisão constante de tudo.

  • Menor é melhor que Maior

Este conceito explodiu com a minha cabeça. Estudei a vida toda que deveríamos montar estratégias de crescimento das empresas, que os ganhos de escala de ser grande compensam os custos administrativos do controle de uma operação maior. Isso morreu. Com as novas tecnologias que existem, os custos de transação estão tendendo a zero, portanto, ser gigante não faz mais sentido. Muito melhor ser menor e mais eficiente.

  • Alugue, não tenha ativos

O custo da tecnologia e de todos os demais processos está diminuindo radicalmente, portanto, não faz sentido ter, possuir nada. Desenvolva, construa utilizando as plataformas que já existem e somente quando fizer sentido ter algo invista nisso. O futuro não é de posses é o da abundância, onde tudo existe de forma compartilhada.

  • A confiança é melhor do que o controle e o Aberto melhor que o fechado

Os desenvolvedores do Facebook possuem autonomia para publicar qualquer código no sistema que está no ar para o usuário final. Esta liberdade mudou radicalmente a lógica da gestão da TI que sempre se pautou pela construção de sistemas de conferência e controle para evitar que código errado ficasse exposto ao cliente final. Ou seja, a lógica antiga é baseada na desconfiança, a lógica nova é baseada na confiança. Resultado, o Facebook consegue desenvolver e implementar mudanças no seu sistema de forma muito mais rápida e com menos erros que outros gigantes da TI. Suas equipes são responsáveis pela qualidade, não um time de auditores e controladores. Na Valve, empresa de video-game não existem chefes, todos desenvolvem os projetos que acreditam. Veja no vídeo abaixo como é o ambiente de trabalho desses caras.

  • Tudo é mensurável e Qualquer coisa pode ser Conhecida

Nossa capacidade de medir o mundo só cresce. Nas turbinas dos aviões existem mais de 3mil sensores, no carro da google existem 64 lazers capturando 1gb de dados por segundo. Os sistemas de telemetria que podemos utilizar nos nossos pulsos medem nosso sistema cardíaco, atividade e sono. Tudo gera informação que posteriormente pode ser cruzada para gerar “insights” sobre a nossa vida e hábitos.

Minha dica final é que vocês leiam o livro, por mais que tenham acompanhado todo o resumo que fiz e todas as informações que dei. O livro é fantástico e vai provocar o pensamento disruptivo e inovador que são a essência do nosso tempo, nosso zeitgeist.

2 Comentários


  1. Muito boa essa série, Marcelo! Sua interpretação e complementação com exemplos foi enriquecedora, muito mais que um simples resumo. Quanto ao livro, esse já está em minha lista de must-read. 🙂

    Conheci seu projeto através do Kaio Serrate, vou passar a acompanhá-lo mais de perto.

    Sempre que puder, tomarei a liberdade de lhe enviar sugestões. Por enquanto, tudo o que posso dizer é que já vi 2 projetos de livros “atualizáveis”, se é que entendi direito essa proposta. Um deles é o Evernote Essentials, do Brett Kelly (https://brettkelly.org/evernote-essentials). Seria o Evernote uma “ferramenta do futuro”? 🙂 O outro é mais específico, chama-se The Busy Coder’s Guide to Android Development. É um livro enorme de desenvolvimento de aplicativos na plataforma Android. Olha que bacana esse modelo de distribuição: https://commonsware.com/warescription

    Continue com o excelente trabalho! Rodrigo.

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    1. Rodrigo, obrigado pelo feedback e pelas dicas! O Kaio é um grande amigo! Fico feliz que você está gostando deste projeto! Em breve terei mais livros e mais novidades sobre o futuro do trabalho!

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